A chuva caía em grande volume na noite escura.
O calor virou frio e o sorriso lágrima.
A chuva caía sobre meus olhos cansados de ver injustiças. Com intensidade e harmonia, como uma grande orquestra, ela chegava aos meus ouvidos cansados de ouvir reclamações.
A chuva molhava sem piedade todo o meu corpo que gritava por liberdade.Era o milagre da natureza que se dava enquanto as águas escorriam límpidas pelos meus pensamentos que voavam sem rumo pela rua.
Já era tarde, muito tarde.
Enquanto eu pensava, via admirada, mas não com vergonha, meu corpo à mostra através da camisa branca colada a pele. A sensação era de liberdade nessa extraordinária comunhão com a terra.
Meus cabelos molhados desceram até meus ombros deixando evidente uma feminilidade sensual que desconhecia. Minha boca bebia daquela água que caía do céu e encharcava além do meu corpo, minha alma.
Elevei minha cabeça ao céu e tudo se desfez. O mundo real retornou. E já não chovia mais. Porém dentro de mim, uma tempestade de reflexões trovejava na minha mente e relampeava no meu coração.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Palavras
Deslumbram-me as palavras e a sua frágil consistência. Me dão vida o ar humilde que aparentam quando encaram a minha impertinência e sentimentos mais profundos.
Uso-as como quem percorre a casa, a sala, a cozinha. Somos amigas desde sempre. Desde um tempo em que tudo é muito vago e a vida era outra. Não existe entre nós qualquer reserva. Somos simplesmente amigas.
Por vezes, uma ou outra rebela-se e avança como se me julgasse alheia a sua imanente dignidade. Mas logo voltamos ao convívio cúmplice. Não há como haver distanciamento permanente entre nós. Nada do que ocorra anula o pacto que muito cedo firmamos, mútuas escravas que somos.
Uso-as como quem percorre a casa, a sala, a cozinha. Somos amigas desde sempre. Desde um tempo em que tudo é muito vago e a vida era outra. Não existe entre nós qualquer reserva. Somos simplesmente amigas.
Por vezes, uma ou outra rebela-se e avança como se me julgasse alheia a sua imanente dignidade. Mas logo voltamos ao convívio cúmplice. Não há como haver distanciamento permanente entre nós. Nada do que ocorra anula o pacto que muito cedo firmamos, mútuas escravas que somos.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Com a brisa
É tarde, será onde estás?
O silêncio se faz presente e em que será que pensas?
Chega aqui um vento frio e o que será te aquece?
O céu é pintado de escuro e com o que será que sonhas?
A noite fica triste e o que será que te anima?
Eu aqui…
É em ti que penso.
É a tua memória que me agasalha!
É com o teu beijo que sonho!
É o nosso reencontro que me alegra!
E é contigo que estou!
Não sentes?
Cheguei até aí com a rapidez de uma brisa leve de chuva, somente para sussurrar que te amo.
O silêncio se faz presente e em que será que pensas?
Chega aqui um vento frio e o que será te aquece?
O céu é pintado de escuro e com o que será que sonhas?
A noite fica triste e o que será que te anima?
Eu aqui…
É em ti que penso.
É a tua memória que me agasalha!
É com o teu beijo que sonho!
É o nosso reencontro que me alegra!
E é contigo que estou!
Não sentes?
Cheguei até aí com a rapidez de uma brisa leve de chuva, somente para sussurrar que te amo.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Te quero
Dia desses fiquei por muito tempo te olhando dormir. Desejei naquele instante que os ponteiros do relógio que estava no criado mudo quebrassem para eu poder congelar para sempre aquele momento de total intimidade. Desejei ficar presa. Presa em um calendário infinito, de acesso restrito. Relembrei que desde o primeiro olhar eu soube que te levaria comigo para o resto dos meus dias.
Às vezes a gente tenta criar maneiras para viver melhor, mas nada se compara ao "você e eu" que somos nós dois juntos, independente de tudo. Não há fronteiras que possam calcular o tamanho do amor e não há lugares em que se possa proibir o encontro de pensamentos traduzidos pelo olhar. Não há como perder a razão mais insana que são os teus movimentos ou o teu silêncio diante de mim.
Te quero de mal humor ou sorrindo, triste ou alegre, acordando pela manhã ou dormindo em sono profundo. Te quero nas dificuldades ou nas vitórias, depois do banho ou depois do trabalho, na leveza do verão ou no aconchego do inverno.
Te quero como se fosse o último dia de nossas vidas, onde o tempo sempre resta e a hora sempre é certa e principalmente quando a física afirma que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço.
Às vezes a gente tenta criar maneiras para viver melhor, mas nada se compara ao "você e eu" que somos nós dois juntos, independente de tudo. Não há fronteiras que possam calcular o tamanho do amor e não há lugares em que se possa proibir o encontro de pensamentos traduzidos pelo olhar. Não há como perder a razão mais insana que são os teus movimentos ou o teu silêncio diante de mim.
Te quero de mal humor ou sorrindo, triste ou alegre, acordando pela manhã ou dormindo em sono profundo. Te quero nas dificuldades ou nas vitórias, depois do banho ou depois do trabalho, na leveza do verão ou no aconchego do inverno.
Te quero como se fosse o último dia de nossas vidas, onde o tempo sempre resta e a hora sempre é certa e principalmente quando a física afirma que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Música clássica
A música ecoa pela pequena sala. Já é tarde e todos se foram. Posso sentir cada nota de Johan Pachelbel voando em torno de mim. Fecho os olhos e me recordo de pessoas importantes que passaram e ainda estão na minha vida. Pessoas que estarão para sempre ao meu lado, nessa ou em outras vidas que por ventura possam existir.
Penso nele, que tanto amo e que me apóia em todas as circunstâncias e que é minha principal razão de viver. Nas duas amigas engraçadas e parceiras que falam de sexo e que dão comigo as gargalhadas mais gostosas. No amigo com olhar sincero e sorriso sempre aberto que me faz rir nas horas de maior tristeza. No rabugento que me dá os conselhos mais sensatos e que considero como um segundo pai. Nas duas amigas da adolescência de quem jamais deixarei de amar. No amigo grande que tem o coração ainda maior. Naquela que mora longe, mas que está sempre perto em pensamento. Nos dois que cresceram comigo e que mesmo cheios de defeitos são minhas jóias raras. Nas duas meninas que vi nascer e que são a luz dos meus dias nublados. Nela que os cabelos brancos são escondidos com infinitas camadas de tinta e que do jeito torto é meu alicerce. Na outra que me viu passar por muitos sofrimentos e nunca deixou de me estender a mão. Neles que me puseram no mundo e que se foram cedo demais.
A peça Canon em Ré Maior de Pachelbel continua tocando alto. Ao invés de lágrimas, um sorriso discreto e genuíno brota no meu rosto.
Não sou nenhuma entendida em música clássica, mas algumas tem o dom de me fazer querer ser cada vez melhor. Elas me emocionam pela delicadeza e precisão em que são tocadas. As pessoas especiais que fazem parte da minha vida são como músicas clássicas, impossível de serem esquecidas e fácil de serem amadas.
Johan Christoph Pachelbel
http://www.youtube.com/watch?v=DZHw9uyj81g&feature=PlayList&p=CB4987BA8A1A5FAD&index=1
Penso nele, que tanto amo e que me apóia em todas as circunstâncias e que é minha principal razão de viver. Nas duas amigas engraçadas e parceiras que falam de sexo e que dão comigo as gargalhadas mais gostosas. No amigo com olhar sincero e sorriso sempre aberto que me faz rir nas horas de maior tristeza. No rabugento que me dá os conselhos mais sensatos e que considero como um segundo pai. Nas duas amigas da adolescência de quem jamais deixarei de amar. No amigo grande que tem o coração ainda maior. Naquela que mora longe, mas que está sempre perto em pensamento. Nos dois que cresceram comigo e que mesmo cheios de defeitos são minhas jóias raras. Nas duas meninas que vi nascer e que são a luz dos meus dias nublados. Nela que os cabelos brancos são escondidos com infinitas camadas de tinta e que do jeito torto é meu alicerce. Na outra que me viu passar por muitos sofrimentos e nunca deixou de me estender a mão. Neles que me puseram no mundo e que se foram cedo demais.
A peça Canon em Ré Maior de Pachelbel continua tocando alto. Ao invés de lágrimas, um sorriso discreto e genuíno brota no meu rosto.
Não sou nenhuma entendida em música clássica, mas algumas tem o dom de me fazer querer ser cada vez melhor. Elas me emocionam pela delicadeza e precisão em que são tocadas. As pessoas especiais que fazem parte da minha vida são como músicas clássicas, impossível de serem esquecidas e fácil de serem amadas.
Johan Christoph Pachelbel
http://www.youtube.com/watch?v=DZHw9uyj81g&feature=PlayList&p=CB4987BA8A1A5FAD&index=1
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Cansei! Preciso chorar.
Cansei de dizer que não! Eu preciso sim chorar. Eu tenho uma necessidade imensa de sentir lágrimas insistentes escorrendo pela minha face. Não me importa a felicidade que o amor me causa. Eu preciso sentir toda a nostalgia e toda a dor que o próprio amor provoca. Se eu vivesse sem chorar, perderia toda a sensibilidade pela vida. Deixaria de contemplar o pôr do sol, de apreciar uma criança brincando ou de me fascinar com os pingos de chuva batendo contra o vidro da janela.
Eu preciso chorar para me emocionar com uma flor, sentir a brisa do mar, deitar na relva e contemplar o céu azul, para admirar as estrelas e sorrir para vida. Preciso chorar para me sentir sozinha e para que minha alma entre em verdadeira comunhão com meu corpo.
Preciso chorar para que as palavras sejam substituídas por sentimento, para respirar e me sentir viva. Preciso chorar para amar e preciso amar para poder chorar. Só assim é possível que eu viva minha vida na sua verdadeira essência.
Eu preciso chorar para me emocionar com uma flor, sentir a brisa do mar, deitar na relva e contemplar o céu azul, para admirar as estrelas e sorrir para vida. Preciso chorar para me sentir sozinha e para que minha alma entre em verdadeira comunhão com meu corpo.
Preciso chorar para que as palavras sejam substituídas por sentimento, para respirar e me sentir viva. Preciso chorar para amar e preciso amar para poder chorar. Só assim é possível que eu viva minha vida na sua verdadeira essência.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
O futuro
Ela caminha pelas ruas quentes da cidade sob o céu azulado de mais um dia comum. Enquanto ouve uma música qualquer, sonha com o futuro almejado. Pensa como seria a vida lá.
Ela se contentaria com qualquer lugar tranquilo, com árvores, com rascunhos de canções, com livros, poesias e com sonhos pequenos ou grandes, mas com sonhos.
Ela estaria feliz com a união de duas vidas em uma só. Sem a pressa de ter que provar para alguém seus anseios, seus objetivos e tudo que está envolto nisso.
Ela imagina as crianças correndo, os carros passando, a liberdade de escolha, sem máscaras, sem hipocrisia, sem ideias pré-concebidas. E por mais que essa liberdade lhe pareça estéril, ainda assim lhe agrada bastante. Com os olhos quase fechado, como se sua alma estivesse fazendo força, ela torce para que esse futuro chegue logo.
Já na varanda de sua pequena casa ela desenha, sem muito talento, as possibilidades do amanhã. Não que seja vidente, mas vislumbra seus mais intensos desejos. Os pensamentos sem forma misturam-se com a fumaça que sai da xícara de café deixada cuidadosamente ao seu lado.
O delicado frio da noite que se aproxima chega até ela com a brisa leve do fim de tarde. Pega com cuidado a xícara quente de café e bebe um grande gole. O calor foi embora.
Ela sabe que independente de qual seja o futuro, que ele sirva para fazê-la sempre ainda mais forte.
Ela se contentaria com qualquer lugar tranquilo, com árvores, com rascunhos de canções, com livros, poesias e com sonhos pequenos ou grandes, mas com sonhos.
Ela estaria feliz com a união de duas vidas em uma só. Sem a pressa de ter que provar para alguém seus anseios, seus objetivos e tudo que está envolto nisso.
Ela imagina as crianças correndo, os carros passando, a liberdade de escolha, sem máscaras, sem hipocrisia, sem ideias pré-concebidas. E por mais que essa liberdade lhe pareça estéril, ainda assim lhe agrada bastante. Com os olhos quase fechado, como se sua alma estivesse fazendo força, ela torce para que esse futuro chegue logo.
Já na varanda de sua pequena casa ela desenha, sem muito talento, as possibilidades do amanhã. Não que seja vidente, mas vislumbra seus mais intensos desejos. Os pensamentos sem forma misturam-se com a fumaça que sai da xícara de café deixada cuidadosamente ao seu lado.
O delicado frio da noite que se aproxima chega até ela com a brisa leve do fim de tarde. Pega com cuidado a xícara quente de café e bebe um grande gole. O calor foi embora.
Ela sabe que independente de qual seja o futuro, que ele sirva para fazê-la sempre ainda mais forte.
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