sábado, 26 de março de 2011

O tempo, que passa o tempo todo

Estou preocupada com o tempo. Sinto que ele me foge rápido demais, vertiginoso demais. Sinto que o persigo e que ele me olha de longe, sempre à minha frente, virando alguma esquina.

Confesso que tenho um pouco de medo do tempo. Temo as mudanças que não posso prever, controlar ou conter. Estremeço diante da falibilidade dos planos, da mutabilidade das feições e da efemeridade dos momentos. Os espelhos me deixam inquieta. Nele nunca se mantém refletida a mesma imagem. As mudanças estão lá: inegáveis e irrevogáveis. Assustam-me as roupas que diminuem de tamanho dia a dia e aqueles sapatinhos que pensei que nunca fossem servir e que agora já estão a ponto de ficarem apertados.

Ando sentindo o tempo com uma agudeza que às vezes não me agrada, como se estivesse o tempo todo em uma despedida do minuto anterior. Ando vendo o tempo, o tempo todo a me sinalizar que está passando, o tempo todo a me lembrar de coisas no pretérito perfeito.

Mas que bobagem a minha. O tempo não nos foge. Não nos escapa por entre os dedos, porque na verdade nunca esteve em nossas mãos. O tempo simplesmente existe e não sei se ele passa ou se passamos por ele.

É, o tempo não é nosso. Ele não pode ser perseguido, retido ou manipulado. Não dura além dos momentos de felicidade ou infelicidade. Ele passa inexorável, imutável e indiferente. Não espera e não se apressa.

A nós, resta lembrarmos que, na verdade, não se perde nada com a passagem do tempo. Porque o futuro nunca nos pertenceu. Ele é apenas a projeção daquilo que esperamos ou tememos. O tempo não nos tira nada. Ao contrário, seu passar é um presente.

Porque não se perde uma juventude, um bebezinho, ou dias passados. Mas, ganha-se maturidade, um filho com quase três meses, adolescente ou adulto e dias passados. O importante é lembrar que o que de fato nos pertence são os momentos fortes o bastante para ficarem impressos na memória.

E o tempo sempre estará por aí, para nos acrescentar dias, memórias, rugas, filhos, netos e neuroses ao longo do período que usamos para gastar o oxigênio disponível no planeta. Só o que espero é que no final todos os batimentos cardíacos tenham valido a pena.

Um comentário:

Lui Oliver disse...

DEISEEEEEEEEEEEEEEE QUE BLOG LINDOOOOOOOO!!! Prometo que vou ler com calma em algum momento (por enquanto, tá difícil terminar alguma coisa que comecei... rs...), mas li os primeiros posts (os mais atuais) e já me apaixonei!!!

Beijos da Bethania