quarta-feira, 28 de abril de 2010

Manta azul

Ela via o mundo sob aquela velha manta azul, herança dos pais que partiram há anos. A única proteção real que ainda sentia possuir. Mantinha-se acordada, com os olhos fechados. Deles, duas lágrimas despencaram e aninharam-se entre o rosto pálido e o travesseiro recém tirado do sol. Só o que ela desejava era permanecer ali, estática e segura embaixo da manta azul. Continuava à espera de algo que não conhecia, mas, que colocaria fim aquela solidão que a invadiu. Dos olhos fechados deslizavam suas angústias e temores. E de repente, a umidade que se formava transformou-se, estranhamente, em algo agradável. Sua expressão inesperadamente desanuviou-se e deu lugar a um singelo sorriso que nasceu nos lábios. Ela estava amparada pela manta azul. Virou para o lado e dessa vez os olhos fechados significavam que ela encontrara o mundo dos sonhos.

Um comentário:

Waltrick disse...

Esses frases aí ao lado, no perfil, são de autoria própria? Incrível como elas fazem mesmo jus à sua pessoa. Só agora parei pra ler e notar. Beijos!